Páginas

Lixão: sustento é o desafio diário de mais de 200 famílias em Parauapebas

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Debaixo de sol forte e um odor insuportável, os catadores de lixo não desanimam
A equipe de reportagem do jornal Carajás, de Parauapebas, esteve no lixão da cidade para acompanhar a rotina de algumas pessoas que sobrevivem do que encontram no lixo doméstico e industrial, depositado pelos caminhões da empresa que faz a coleta diária nas ruas de Parauapebas.
O que para a maioria da população não tinha nem uma utilidade, é disputado a cada palmo por dezenas de pessoas, que por viver abaixo da linha da pobreza, se arriscam em meio a toneladas de lixo, à procura de algo que venha suprir suas necessidades básicas.
São adultos e crianças que simplesmente ignoram os perigos inerentes do lixo e sem nem uma proteção, convivem diariamente com o mau cheiro, bactérias, fumaça e urubus. Uma cena cotidiana que retrata a vida de quem, apesar da extrema pobreza, sobrevive de um trabalho honesto, mas que depende de muita coragem e determinação.
Debaixo de sol forte e um odor insuportável, os catadores de lixo não desanimam. Eles procuram sucatas, latinhas de cerveja, móveis velhos e até mesmo resto de comida. Alguns, por não terem pra onde ir, fixaram moradia construindo barracos de papelão, retirados do próprio lixo. É a lei da sobrevivência. Do lixão cada um retira o que pode e o que acha que vai dar lucro. Apesar da vida sofrida, os catadores de lixo são pessoas bem humoradas, verdadeiras e acima de tudo, comunicativas. Pelo menos nesse ponto de vista os catadores de lixo se sobressaem em relação aos “engravatados”, que apesar do conforto do ar condicionado, aliado ao requinte do escritório, se acham no direito de ignorar pessoas humildes, que não tiveram a mesma sorte e por este motivo ficam a mercê da situação. “É um trabalho cansativo, mas dá pra tirar o sustento daqui. Todos os dias eu e meu marido viemos catar latinhas de cerveja para vender, é muito pouco o lucro, mas é melhor do que roubar”, disse uma catadora que preferiu não se identificar.
Segundo informações, um quilo de latinhas de cerveja (alumínio) é vendido por R$ 0,40 (quarenta centavos), para completar um quilo os catadores devem juntar 75 latinhas, no caso os desafios são grandes e exige bastante trabalho, pois os catadores devem juntar 1.275 quilos de latas para alcançar quase a média de um salário mínimo de R$ 515,00. Comparado ao trabalho exausto para se adquirir o produto o valor se torna insignificante, mas para os catadores, dependendo da produtividade o lucro pode chegar a R$ 200,00 (duzentos reais) mensais, pois a concorrência é grande no meio. “Depende muito. Tem dia que a gente acha muita latinha, tem dia que a gente encontra sucata de ventilador e outros objetos de ferro ou alumínio e tudo é aproveitado”, garante a catadora anônima.
Para os atravessadores que compram o produto no próprio lixão, o que foi descartado no lixo pode virar um bom negócio. “Pelo menos uma vez por mês a gente vem de Marabá para comprar sucatas de ferro e alumínio aqui no lixão de Parauapebas. Eu pago R$ 1,20 o quilo de ferro e até agora não faltou vendedor para abastecer minha sucata”, disse um sucateiro que pediu para ser identificado.
Muito ou pouco, o lucro obtido pela venda de produtos encontrado no lixão garante o sustento de dezenas de famílias carentes. Segundo informações, o prefeito de Parauapebas, Darci Lérmen, prometeu moradia aos catadores de lixo que residem no local, mas projetos sociais envolvendo moradia no município, sempre é problema, as famílias preferem continuar no lixão. “Pra onde o lixo for eu vou atrás, porque é do lixo que eu tiro meu sustento e daqui ninguém me tira”, disse Antônio da Silva Santos.


Pesquisa: Daniel F.S


PORTAL N1: www.vtxnews.blogspot.com

0 comentários:

Postar um comentário

 
PORTAL N1 | by TNB ©2010