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» Adepará interdita 20 matadouros irregulares no Pará
O diretor operacional da Adepará, Sálvio Freire,
explica que o estabelecimento só é fechado se estiver irregular e fizer
abate clandestino.
Pará - Motivado pela certificação nacional que Pará receberá
confirmando todas as regiões do Estado como livre de febre aftosa, e em
decorrência de denúncias de abates clandestinos e de ações do Ministério
Público com relação à qualidade da carne consumida pela população, a
Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará) intensificou neste mês a
rotina de fiscalização nos estabelecimentos de abate. O trabalho, que
já resultou na interdição de 20 matadouros, é pela regularização perante
os sistemas de inspeção federal, estadual ou municipal.
Nos
últimos 15 dias, na região sul do Pará, foram fechados matadouros
clandestinos nos municípios de Tucumã, Água Azul do Norte, Xinguara, Pau
D’arco, Santa Maria das Barreiras, Redenção, Santana do Araguaia e São
Geraldo do Araguaia. “O fechamento só ocorre em função da ausência de
regulamentação e da confirmação do abate clandestino. É uma questão de
saúde humana”, diz o diretor operacional da Adepará, Sálvio Freire.
Segundo ele, a inspeção é a garantia da procedência e da qualidade do
produto consumido. O Pará é o quinto maior rebanho do país em produção e
o quarto maior em abate e, portanto, cabe ao órgão de defesa
agropecuária do Estado garantir a segurança dos produtos animais e
vegetais que serão comercializados e que seguem para o consumo humano.
Flávio Freire lembra que o abate de animais fora das exigências
sanitárias previstas em lei pode levar à contaminação da carne com
zoonoses, doenças oriundas dos animais que podem ser transmitidas para o
homem, como raiva, tuberculose e brucelose. Há ainda o risco de se
contrair infecções.
Como ato imediato e paralelo à fiscalização, a
Adepará está orientando as prefeituras que não têm o Sistema de
Inspeção Municipal (SIM) que criem e aprovem a lei que o institui. Esta
conduta também é uma orientação do Ministério da Agricultura e do
Ministério Público Estadual. “Nossa preocupação é garantir a qualidade
do alimento que para a mesa do consumidor. No momento, estamos em meio a
um processo de aproximação com os municípios. A conscientização precisa
do apoio conjunto do setor produtivo e da população”, afirma Sálvio.
O governo do Estado implantará, até o fim de 2014, 36 novos polos de
matadouros, em locais a definir. Um investimento na ordem de
aproximadamente R$ 24 milhões. O município que não se sentir apto ou em
condições de implantar o Sistema de Inspeção pode recorrer à compra da
carne de um estabelecimento inspecionado em municípios vizinhos ou em
estabelecimento devidamente credenciado com inspeção estadual ou
federal.
O projeto de implantação do SIM passa pela aprovação do
legislativo municipal, para que o prefeito o oficialize com decreto ou
portaria. A próxima etapa é a estruturação do setor, que inclui a
contratação de veterinários e de técnicos agrícolas e do setor
administrativo, para que inspecionem, supervisionem e fiscalizem os
locais de abate no município.
Durante uma ação de fiscalização,
fiscais da Adepará verificam se o SIM está devidamente implantado. Em
caso afirmativo, os estabelecimentos registrados estão aptos a fazer o
abate junto ao município. Caso não exista o sistema municipal, é preciso
estar registrado nos serviços de inspeção dos governos federal ou
estadual, sob pena de fechamento do local, por irregularidade na
exploração do negócio.
A interdição do estabelecimento geralmente é feita em conjunto, após a
confirmação de denúncias feitas pela população e confirmadas por fiscais
da Adepará, por agentes de organismos ambientais ou ainda por
representantes do Ministério Público Estadual. Em caso de fechamento de
matadouros, os municípios não ficam desassistidos. Os governos estadual e
federal têm 26 abatedouros credenciados no Estado que, juntos, podem
abater cerca de dois milhões de animais. “Atualmente a rede de
capilaridade existente no Estado proporciona uma cobertura razoável. O
mercado não fica desabastecido. Cria-se uma dificuldade, sim, o preço
acaba aumentando, sim, mas, vêm ao lado a qualidade do produto oferecido
ao consumidor e a saúde da população”, enfatiza o diretor da Adepará.
Para
garantir a reabertura do estabelecimento, é preciso um ajustamento de
conduta, levando em consideração, além do registro, questões de
estrutura mínima para validar o funcionamento referente às condições de
refrigeração adequadas para a carne; presença do médico veterinário
fazendo a inspeção durante o abate; questões impactantes ao meio
ambiente e de uso da água, assim como a localização do matadouro.
Nos
matadouros irregulares, boa parte dos os animais vivos entra sem a Guia
de Trânsito Animal, embora seja proibido transitar sem esse documento.
Segundo Sálvio Freire, os animais abatidos de forma irregular podem ser
fruto de roubo, e esse controle não existe nos dados oficiais. A guia
tem as informações acerca do animal, como origem, destino e controle
sanitário, que confirmam a procedência e a sanidade do animal e,
consequentemente, a qualidade da carne que chegará à mesa do consumidor.
Por Francisco Portela e Edil Aranha
Fonte: Portal no Tapajos
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