Seis anos depois de deixar o PT, Edmilson Rodrigues - agora no PSol - volta a contar com o apoio de figuras históricas do Partido dos Trabalhadores em uma eleição. Como parte da estratégia nacional contra os tucanos, apontados como os maiores adversários dos petistas, as estrelas da legenda decidiram desembarcar em peso na candidatura do PSol à prefeitura de Belém. As participações especiais começaram ontem com a exibição de depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no horário eleitoral gratuito. Antes foi exibida peça sobre programas do governo federal que podem ser implantados ou ampliados em parceria com o município. Ainda nesta semana, são esperados depoimentos da presidente Dilma Rousseff e do ministro da Saúde Alexandre Padilha, que já disponibilizou o vídeo no canal do PT no Youtube.
Até a ex-governadora Ana Júlia Carepa, que vinha se recusando a declarar o voto em Edmilson - mesmo após decisão do PT de apoiá-lo –, usou as redes sociais no fim de semana para pedir votos. “Na política, não podemos agir com o fígado. Quando Edmilson veio pedir o apoio do PT, veio pedir o nosso apoio, o apoio do Lula, ele já faz um gesto de humildade. Precisamos demonstrar que eles (PSol) estavam errados em relação ao nosso governo e em relação ao PT. Nós somos melhores e com certeza temos compromisso com o povo”, escreveu em sua página no facebook para um militante que questionou a decisão.
A estratégia do PT foi definida na semana passada em reunião em São Paulo. Em Belém, os petistas anunciaram apoio a Edmilson logo após o primeiro turno. Nas redes sociais, o clima era de euforia entre os eleitores de Edmilson que passaram a falar em “hora da virada”. Pesquisa do Ipespe divulgada ontem pelo Diário mostra que o candidato está seis pontos atrás do tucano Zenaldo Coutinho. A festa em torno da presença da presidente Dilma Rouseff no palanque eletrônico em Belém é motivada pelos ótimos índices de aprovação do governo federal na capital paraense.
Os tucanos regiram à artilharia petista. No programa de ontem à noite, exibiram peça em que afirmam que a aliança de Lula e Dilma com Edmilson “é só para ganhar eleição” O marqueteiro da campanha tucana, Orly Bezerra desdenhou da presença de Lula na propaganda em Belém, fato que, ressaltou, não é novidade. No primeiro turno, o ex-presidente apareceu na propaganda do petista Alfredo Costa e do peemedebista José Priante. “O povo já está vacinado. Em Santarém, a Dilma apareceu e lá foi eleito o candidato do PSDB (Alexandre Von)”, disse, afirmando que vai manter a estratégia da campanha.
ROMPIMENTO
Nem tudo foram flores para Edmilson com a presença dos novos apoiadores de peso. A presença de Lula no programa eleitoral provocou um racha no PSol. A Corrente Socialista dos Trabalhadores (CST), uma das tendências internas da legenda, anunciou que vai se retirar da campanha. “Não aceitamos que o chefe dos mensaleiros, aquele que em nome da esquerda aplicou a política neoliberal no nosso País, aquele que simboliza a traição da luta histórica dos trabalhadores apareça nos programas do PSol”, diz um trecho da carta. “Para combater o tucanato, nós precisávamos manter a campanha como estava no primeiro turno”, afirmou ao Diário a secretária geral do PSol em Belém, Sílvia Letícia, ressaltando, contudo que vai continuar recomendando voto em Edmilson. Os novos apoios desagradaram também ao PSTU, que realiza plenária hoje à noite para avaliar o quadro e ontem publicou nota anunciando o rompimento da aliança com o PSol. “Seguimos chamando voto em Edmilson, um voto crítico, para derrotar a burguesia. Mas com essa coalização (sic) mantida, não temos nenhuma expectativa de que o PSol será consequente com um governo para a classe trabalhadora porque as alianças de hoje cobrarão seu preço amanhã”, diz a nota publicada no site do PSTU.
Por Edil Aranha
Fonte: Diário do Pará


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